Uma Visita à Mina de Sal-Gema de Loulé


Uma visita à Mina de Sal-Gema em Loulé

No centro de Loulé, numa rua residencial, somos surpreendidos por uma mina de sal-gema que tem sido explorada desde 1963.
Discreta à superfície, tudo o que vemos são dois poços de elevador: um utilizado para pessoas e outro, localizado a cerca de 2 km, utilizado para transportar o sal até à superfície.

Em 2019, a mina abriu as portas ao turismo.

A exploração acontece a 230 metros de profundidade. Para aceder à mina, somos equipados com colete amarelo, capacete e lanterna de mineiro. Não porque a zona visitável não tenha iluminação, mas por razões de segurança. Somos convidados a entrar num elevador rudimentar com capacidade para 4 a 5 pessoas, construído manualmente no início da exploração, e que demora cerca de 3 minutos a descer até à galeria.

Já no interior percebemos que chegámos a um verdadeiro local de exploração viva dos recursos naturais. Num ambiente de trabalho escuro, ouvimos o intenso ruído dos condutos de ventilação que renovam o ar a esta profundidade, sentimos o cheiro do óleo dos veículos utilizados para transportar e extrair o sal e vemos toda a cablagem elétrica de alta tensão. Rapidamente percebemos que, além dos mineiros, também são essenciais mecânicos e eletricistas a trabalhar ali em baixo.

Antes de entrarmos na primeira sala — o escritório — o guia alerta-nos para a necessidade de circular sempre juntos. Existem mais de 45 km de galerias labirínticas, onde seria fácil perdermo-nos se não acompanhássemos o grupo. Também nos mostra que todas as paredes e o chão que vemos são compostos por sal, cerca de 93%, misturado com outros minerais como gesso, argila e calcário.

A 230 metros de profundidade, e cerca de 30 metros abaixo do nível do mar, foi construído um escritório onde se encontra o mapa das 45 km de galerias e um telefone com fio para comunicação com a superfície. Ao longo dos anos foram feitas várias prospeções que revelaram a existência de mais níveis abaixo deste, onde também seria possível extrair sal. Assim, foi iniciado um segundo nível de exploração, cerca de 30 metros abaixo do primeiro. No entanto, este nível encontra-se inativo há vários anos. Os elevadores de transporte não chegam ao nível 2 e, enquanto houver área disponível no primeiro nível, não é economicamente viável explorar o segundo.

Galeria Principal

A galeria principal da mina, que define os limites entre este e oeste, tem cerca de 4 km de comprimento. É nesta extensão que existe sal; para além dela, foram encontrados depósitos de gesso.

O sal apresenta um aspeto rochoso e uma cor acastanhada devido à mistura com outros minerais. Devido à sua densidade — superior a 90% — não é permitido para consumo humano, sendo utilizado principalmente para estradas e alimentação animal.

Inicialmente, a mina funcionava 24 horas por dia. Para abrir novas galerias eram utilizados explosivos. Pequenos furos eram perfurados nas paredes e preenchidos com explosivos, que eram detonados durante a noite. O sal caía em grandes blocos de rocha, que depois eram carregados em camiões e transportados para serem triturados.

É curioso perceber que todas as máquinas existentes no interior da mina a 230 metros de profundidade — como camiões, tratores ou cortadoras — tiveram de ser desmontadas à superfície e novamente montadas no interior pelos mecânicos. Isto acontece porque a única forma de acesso é através dos poços de elevador utilizados também pelos visitantes. Sempre que é necessário enviar uma nova máquina para o interior, os elevadores — originalmente construídos pela equipa da mina — precisam de ser desmontados para que as peças possam descer por cabos.

Trabalhar numa mina não é fácil. No entanto, o trabalho tornou-se mais simples em 1989, quando deixaram de usar explosivos e passaram a utilizar máquinas de corte para extrair o sal.

Desde então, o número de mineiros diminuiu e estas máquinas passaram a remover o sal diretamente das paredes. Depois, os camiões recolhem o sal e transportam-no para armazenamento ou para o poço 2, onde existem elevadores totalmente fechados que levam o sal até à superfície.

Atualmente, a mina funciona apenas por encomenda e extrai aproximadamente 10.000 toneladas de sal por ano. Isto não acontece por falta de procura, mas porque se tornou muito dispendioso transportar sal por via terrestre para os países nórdicos.

A visita turística percorre cerca de 1,5 km no interior da mina e tem uma duração aproximada de 2 horas, desde o check-in até ao final. É permitido tirar fotografias e até levar um pequeno pedaço de sal como recordação.

Se estiver no concelho de Loulé, esta é uma visita que recomendamos, juntamente com os trilhos na Fonte da Benémola e na Rocha da Pena.

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