Um tour gastronómico para descobrir Olhão – Uma terra de sabores com história


Mergulhe na vibrante cena gastronómica de Olhão numa visita guiada

Explore o mercado, saboreie marisco fresco e especialidades regionais, e descubra a história culinária da cidade.

O Algarve está repleto de pequenas vilas e aldeias encantadoras, com uma beleza natural deslumbrante e uma arquitetura que nos lembra como o país era há meio século atrás. Olhão é uma dessas vilas tradicionais que deve visitar no Algarve.

As famosas casas cúbicas brancas algarvias, com os seus terraços no topo, foram influenciadas pelos contactos comerciais e pela emigração dos olhanenses para Marrocos. As paisagens, o património histórico e arqueológico e as experiências das pessoas são apenas algumas das muitas razões para visitar o concelho num agradável passeio a pé.

É pelo centro de Olhão que começamos a nossa viagem. O ponto de encontro é marcado no “Poço das Bombas”. Todos aqueles que se apaixonaram por Olhão escreveram que tudo começou “por um olho de água, em torno do qual nasceram quatro poços”. Este poço foi a principal fonte de água para consumo público, onde os aguadeiros reabasteciam para depois a distribuir de porta em porta, nos seus carros de tração animal.

Antes de entrarmos neste incrível labirinto de ruas e ruelas, passamos por alguns pontos importantes, como a Sociedade Recreativa Olhanense, criada em 1958, que era frequentada exclusivamente pela alta sociedade. Passamos também pela Igreja de Nossa Senhora do Rosário, a atual igreja matriz de Olhão, onde pode visitar o interior e subir ao terraço para desfrutar de uma vista privilegiada sobre a cidade. Nas traseiras desta igreja encontra-se a Capela do Senhor dos Aflitos, onde as velas nunca se apagam, seja de dia ou de noite, pois é um local onde as pessoas vêm rezar constantemente.

Enquanto caminhamos, podemos observar as casas típicas, todas brancas, com janelas e portas decoradas com belas molduras. Procuramos também as histórias que muitas vezes se confundem com lendas, misturando-se com a própria história da cidade. E a primeira que encontramos é a de Floripes!

A lenda das Floripes – A lenda mais mítica de Olhão


Dizia-se que Floripes podia ser vista, ocasionalmente, nos terraços das casas de Olhão. Esta bela e encantada moura tentava os homens, desafiando-os a atravessar a Ria Formosa ou mesmo o oceano, com uma lamparina acesa na mão. Aquele que conseguisse cumprir o desafio conquistaria o seu coração e o reino do seu pai desaparecido.

Os que falhavam… acabavam por se afogar.

Existem outras lendas que pode descobrir enquanto percorre estes labirintos, tais como:

Arraúl – O Amante do Algarve


Arraúl era o belo filho do chefe da guarda das Colunas de Hércules e o único sobrevivente de Atlântida.

Um dia, Arraúl foi apanhado por uma tempestade que o lançou ao alto mar, onde foi engolido por uma baleia.

Apesar do infortúnio, o jovem sobreviveu, e a baleia trouxe-o para a praia do site das Prainhas – o local onde, segundo se diz, foi fundada Olhão.

Arraúl apaixonou-se imediatamente pelo lugar e decidiu protegê-lo, construindo uma enorme barreira de areia com terra das colinas de S. Miguel e Cabeça.
Foi assim que criou a corda de dunas da atual Ria Formosa, que protege o continente nesta zona do Algarve.

A moura encantada


Manuel Caleça, um pescador, conta que, quando era jovem, estava a brincar com os amigos quando, de repente, um rapaz desconhecido se aproximou e quis juntar-se ao grupo para brincar. Rapidamente perceberam que o rapaz não sabia muito bem como jogar. O estranho propôs que dois deles fossem para outro lugar, e Manuel concordou.

Ao chegarem ao local, uma porta secreta abriu-se misteriosamente, levando-os a um palácio repleto de riquezas. Manuel permaneceu lá algum tempo, pedindo depois ao rapaz que o levasse de volta a casa.

O jovem levou-o até aos pais, mas prometeu que nunca mais o deixaria, dizendo que ficaria invisível ao seu lado, pois estava sob um feitiço, e só Manuel o podia ver.

Manuel conta que sentiu falta da pequena moura encantada no dia em que a mãe o levou à igreja para se confessar e comungar pela primeira vez.

O rapaz de olhos grandes


Em noites escuras, diz-se que, ao longo do bairro da Barreta, aparecia aos pescadores um rapaz muito robusto, vestido apenas com uma camisa, com olhos grandes e negros.

Como chorava muito e não dizia nada, os pescadores, com pena da criança, pegaram-no ao colo. Mas o peso do rapaz aumentava à medida que caminhavam, e, eventualmente, o rapaz acabava por ficar a chorar no chão. Ao longo dos anos, ele aparecia esporadicamente pelo bairro da Barreta. Um dia, no entanto, deixou de aparecer. Diz-se que a Moura Floripes, ao embarcar para as terras do Norte de África, levou-o consigo.

A lenda de Marim


Em Marim, existia outrora um palácio belo e luxuoso, onde vivia um rico mouro com a sua filha mais bela, Alina.

Abdallah, um trovador mouro apaixonado por Alina, cantava todas as noites à janela do quarto da sua amada. Estas demonstrações de amor não eram aprovadas pelo pai de Alina, que o desafiou, prometendo a mão da filha se o jovem mouro conseguisse transportar a fonte do rio, a treze léguas de distância, até ao palácio em apenas uma noite.

A ausência do rapaz na noite seguinte alegrou o pai de Alina, pensando que o tinha afastado. Já era de madrugada quando se ouviu o som da cítara. Era o rapaz! E junto dele, uma enorme fonte. Movido pela raiva, o velho mouro atirou Alina pela janela, mas ela caiu nos braços do amado, dentro do riacho. Diz a lenda que não morreram e que, ainda hoje, são vistos a passear pela propriedade, cantando ao som da cítara.

Enquanto percorre os labirintos desta cidade e ouve todas essas histórias incríveis, este passeio leva-o também às mais icónicas “tascas” (pequenos restaurantes típicos) para degustar os seus pratos especiais.


Como estamos numa terra de pescadores, todos os dias há peixe e marisco frescos, servidos nestas típicas “tascas”.




Existem sabores incríveis que você não pode deixar de provar na vida!